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Paramedic performing CPR on baby mannequin during outdoor training session.

Em caso de crise epiléptica o que não fazer

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Saber em caso de crise epiléptica o que não fazer é tão importante quanto conhecer as ações corretas — e, na prática, os erros cometidos por quem tenta ajudar são responsáveis por grande parte das complicações durante o atendimento. Segurar a língua da pessoa, imobilizar os movimentos com força ou colocar objetos na boca são condutas que ainda circulam como “senso comum”, mas que podem causar fraturas, lesões dentárias, mordidas graves no socorrista e até obstrução das vias aéreas.

Durante uma crise convulsiva, o sistema nervoso central passa por uma descarga elétrica intensa e incontrolável. Nesse cenário, intervenções equivocadas não apenas não ajudam — elas pioram ativamente o quadro clínico e expõem tanto a vítima quanto quem presta socorro a riscos desnecessários. Profissionais de saúde, educadores, cuidadores e qualquer pessoa que trabalhe em ambientes com risco de emergência precisam dominar esses limites antes de qualquer coisa.

Neste artigo, você vai entender quais são as principais condutas proibidas diante de uma crise epiléptica, por que elas são perigosas e qual é o protocolo correto segundo as diretrizes atualizadas de primeiros socorros. O conhecimento técnico aplicado com calma é o que diferencia um socorro eficaz de uma intervenção que agrava a situação.

O Que NÃO Fazer em Caso de Crise Epiléptica: Erros que Podem Colocar Vidas em Risco

Presenciar uma crise epiléptica é uma experiência que assusta até profissionais experientes. O corpo se contrai, os olhos reviram, pode haver salivação intensa, perda de consciência e, em alguns casos, liberação de esfíncteres. Diante desse quadro, o instinto de quem está perto quase sempre leva a atitudes erradas — atitudes que, em vez de ajudar, aumentam o risco de trauma, asfixia e sequelas graves. Saber o que não fazer é tão importante quanto saber o que fazer, porque muitos dos danos observados após uma crise não vêm da epilepsia em si, mas do socorro mal executado. Neste artigo, você vai entender por que certas condutas populares são perigosas, quais são os erros mais comuns e como agir de forma tecnicamente correta, seguindo as recomendações de protocolos internacionais e da Portaria 2048 do Ministério da Saúde.

O Que É uma Crise Epiléptica e Por Que Reagir Errado É Perigoso

A crise epiléptica é resultado de uma descarga elétrica anormal, súbita e excessiva de neurônios do cérebro. Essa descarga pode se manifestar de várias formas: contrações musculares generalizadas (crise tônico-clônica), ausências momentâneas, sensações estranhas, movimentos automáticos ou perda súbita de consciência. Durante uma crise generalizada, a pessoa não tem controle sobre o corpo, não responde a estímulos e não guarda memória do episódio.

Reagir de forma errada é perigoso porque o corpo da vítima está em um estado de vulnerabilidade extrema: os músculos estão rígidos, a mandíbula travada, a via aérea pode estar comprometida e há risco alto de broncoaspiração. Qualquer intervenção física inadequada — como forçar a boca, imobilizar membros ou movimentar a cabeça de forma brusca — pode gerar fraturas, luxações, obstruções e até parada respiratória.

Diferença Entre Crise Epiléptica e Convulsão Comum

Muita gente usa os termos como sinônimos, mas há diferenças importantes. Convulsão é o sintoma — os movimentos involuntários, as contrações. Crise epiléptica é o evento neurológico que pode ou não incluir convulsão. Uma pessoa pode ter uma crise sem convulsionar (como nas crises de ausência) e outra pode convulsionar sem ter epilepsia (como nas convulsões febris em crianças, crises por hipoglicemia, intoxicação ou trauma craniano). Do ponto de vista do socorrista leigo, a conduta inicial é semelhante — proteger, cronometrar e monitorar —, mas o encaminhamento hospitalar muda conforme a causa suspeita.

Por Que o Comportamento de Quem Socorre Faz Toda a Diferença

A crise em si, na maioria dos casos, se resolve espontaneamente em 1 a 3 minutos. O problema geralmente não é a crise, e sim o ambiente e as atitudes ao redor da vítima. Quedas contra móveis, batidas de cabeça no chão duro, dedos quebrados de quem tentou “abrir a boca” e broncoaspiração por posicionamento errado são complicações evitáveis. Um socorrista bem treinado, como os formados em cursos de Suporte Básico de Vida (SBV), sabe que sua função ali é criar um ambiente seguro e observar, não interromper a crise à força.

Lista Completa do Que NÃO Fazer Durante uma Crise Epiléptica

A seguir, os erros mais comuns cometidos por leigos — e por profissionais mal treinados — durante uma crise. Cada um deles pode causar dano adicional à vítima.

Não Coloque Nada na Boca da Pessoa (Nem os Dedos)

Esse é o erro número um. Colheres, carteiras, pedaços de pano, canetas, chinelos e principalmente os dedos não devem, em nenhuma hipótese, ser introduzidos na boca de quem está convulsionando. A mandíbula durante a crise tônica trava com força suficiente para quebrar dentes, cortar dedos e empurrar objetos para a via aérea, provocando asfixia. Além disso, forçar a boca aberta pode causar luxação de mandíbula e sangramentos que serão aspirados pelo pulmão. A crença de que a pessoa vai “engolir a língua” é falsa — falaremos disso adiante.

Não Tente Segurar ou Imobilizar os Movimentos do Corpo

Muita gente tenta “segurar” a vítima achando que assim vai controlar a crise ou impedir que se machuque. O efeito é o oposto: a força das contrações musculares contra uma imobilização externa pode causar luxações de ombro, fraturas de úmero, distensões musculares graves e ruptura de ligamentos. A crise não para porque alguém segura — ela para quando o cérebro se reorganiza. Deixe o corpo se movimentar; sua função é afastar o perigo, não conter a pessoa.

Não Ofereça Água, Alimentos ou Medicamentos pela Boca Durante a Crise

Durante a crise, a pessoa está inconsciente e sem reflexo de deglutição. Qualquer líquido, comida ou comprimido colocado na boca vai direto para a via aérea, causando broncoaspiração — uma complicação grave que pode levar a pneumonia aspirativa ou parada respiratória. Mesmo remédios anticonvulsivantes prescritos ao paciente não devem ser administrados por via oral durante o episódio. Se a pessoa tiver medicação de resgate específica (como diazepam retal ou midazolam bucal), só quem foi orientado por um médico e treinado deve utilizá-la.

Não Deixe a Pessoa Sozinha Enquanto a Crise Estiver Acontecendo

Sair correndo para “buscar ajuda” e deixar a vítima sem observação é um erro perigoso. Ela pode vomitar, ter a via aérea obstruída, cair de uma altura ou se ferir contra objetos. Se você está sozinho, use o viva-voz do celular para ligar para o SAMU (192) enquanto continua ao lado. Se há mais pessoas, delegue: uma liga, outra afasta objetos, outra permanece com a vítima.

Não Tente Acordar a Pessoa com Tapas, Água Fria ou Gritos

A perda de consciência durante a crise é neurológica — não é desmaio comum, não é sono, não é dramatização. Tapas no rosto, jatos de água, borrifadas de perfume, sais ou gritos não interrompem a descarga elétrica cerebral e ainda podem causar lesões físicas, principalmente em crianças. Após a crise, existe uma fase chamada pós-ictal, em que a pessoa fica confusa, sonolenta e desorientada por alguns minutos a algumas horas. Isso é normal e não deve ser combatido com estímulos agressivos.

Não Coloque a Pessoa em Pé ou Sentada Durante as Convulsões

Tentar levantar a vítima, colocá-la em uma cadeira ou apoiá-la contra a parede aumenta muito o risco de queda e trauma cranioencefálico. Durante a crise, o correto é que a pessoa esteja no chão, em posição segura. Se ela estava em pé quando começou a crise, o socorrista deve, quando possível, amparar a queda para que não bata a cabeça — mas depois disso, mantenha-a no solo. Nunca tente carregá-la para outro cômodo, para o carro ou para uma maca improvisada enquanto convulsiona.

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Não Faça Respiração Boca a Boca Durante a Crise Ativa

Durante a fase convulsiva, é comum haver alteração no padrão respiratório, coloração arroxeada dos lábios (cianose) e apneia breve. Isso não é parada cardiorrespiratória — é parte da fisiologia da crise. Fazer respiração boca a boca ou compressões torácicas em uma pessoa que está convulsionando é ineficaz e pode causar lesões. A RCP só é indicada se, após o fim da crise, a pessoa não voltar a respirar e não tiver pulso. Se você não sabe diferenciar essas situações, um curso de suporte básico de vida é fundamental para agir com segurança.

Não Ignore o Tempo de Duração da Crise

Muita gente entra em pânico e esquece de olhar o relógio. Cronometrar a crise não é detalhe — é informação clínica decisiva. Uma crise que dura mais de 5 minutos configura estado de mal epiléptico, uma emergência médica com risco de lesão cerebral permanente. Sem esse dado, a equipe do SAMU trabalha no escuro.

Quando Chamar o SAMU (192) ou Ir ao Pronto-Socorro

Nem toda crise exige atendimento hospitalar imediato. Pacientes com diagnóstico já estabelecido, em uso regular de medicação e cujas crises têm padrão conhecido, muitas vezes não precisam ser levados ao pronto-socorro após um episódio típico e breve. No entanto, existem situações em que a chamada ao SAMU (192) é obrigatória.

Crise que Dura Mais de 5 Minutos: Emergência Médica

Crises com duração superior a 5 minutos, ou duas crises consecutivas sem recuperação da consciência entre elas, caracterizam estado de mal epiléptico. Essa condição pode levar a lesão neuronal irreversível, edema cerebral, arritmias e parada cardiorrespiratória. É emergência absoluta — ligue imediatamente para o 192 e informe o tempo cronometrado da crise.

Outras Situações que Exigem Atendimento Imediato

  • Primeira crise da vida da pessoa (sem diagnóstico prévio de epilepsia);
  • Crise em gestante;
  • Crise após trauma craniano recente;
  • Crise em pessoa diabética, cardiopata ou com histórico de AVC;
  • Vítima que se feriu durante a crise (corte, fratura, batida forte na cabeça);
  • Vítima que não recupera a consciência normalmente após alguns minutos;
  • Crise dentro d’água (piscina, banheira, mar);
  • Crise em criança pequena, especialmente abaixo de 6 meses;
  • Suspeita de intoxicação, uso de drogas ou abstinência alcoólica como causa.

O Que Fazer Corretamente Durante uma Crise Epiléptica

Agora que você sabe o que evitar, veja o passo a passo correto — o mesmo protocolo ensinado em cursos técnicos de atendimento pré-hospitalar e primeiros socorros.

Passo 1: Mantenha a Calma e Cronometre a Crise

Respire fundo e olhe o relógio ou acione o cronômetro do celular. O tempo de duração é o dado mais importante para orientar a conduta e passar ao SAMU. Observe também as características: quais partes do corpo se movem, há desvio dos olhos para um lado, houve liberação de esfíncteres, houve mordedura de língua.

Passo 2: Afaste Objetos Perigosos ao Redor da Pessoa

Retire cadeiras, mesinhas, objetos cortantes, óculos do rosto da vítima, sapatos altos, cintos apertados. Se estiver na rua, sinalize o trânsito. Se estiver perto de escadas, muros ou beiras de piscina, crie uma barreira. A meta é impedir que a pessoa se machuque durante os movimentos involuntários.

Passo 3: Coloque a Pessoa de Lado (Posição de Recuperação)

Assim que possível — idealmente quando as contrações mais fortes diminuírem — vire a vítima em decúbito lateral. Essa posição permite que saliva, vômito e sangue de eventual mordedura de língua escorram para fora da boca, prevenindo broncoaspiração. É a mesma posição de recuperação usada em qualquer vítima inconsciente que respire espontaneamente.

Passo 4: Proteja a Cabeça com Algo Macio

Coloque sob a cabeça uma peça de roupa dobrada, uma toalha, uma jaqueta ou até a sua mão em concha. O objetivo é impedir que a cabeça bata repetidamente no chão duro. Não segure a cabeça com força nem tente conter os movimentos do pescoço — apenas amorteça.

Passo 5: Fique ao Lado Até a Pessoa Recuperar a Consciência Completamente

Após a fase convulsiva, a vítima entra na fase pós-ictal: sonolência, confusão, dor de cabeça, dificuldade para falar, desorientação, às vezes agitação. Fale com voz calma, identifique-se, explique o que aconteceu, ofereça água somente quando a pessoa estiver totalmente desperta e conseguir engolir com segurança. Não a deixe dirigir, subir escadas ou tomar decisões importantes por pelo menos algumas horas.

Crise Epiléptica em Crianças: Cuidados Específicos e O Que Evitar

Crises em crianças costumam gerar pânico maior nos adultos ao redor, mas a conduta básica é a mesma: proteger, posicionar de lado, cronometrar e chamar ajuda.

Diferenças no Atendimento de Crianças em Relação a Adultos

Crianças têm via aérea mais estreita, o que aumenta o risco de obstrução por saliva ou vômito — o posicionamento lateral é ainda mais crítico. Também têm reserva metabólica menor, então crises prolongadas podem levar mais rápido a hipoglicemia e hipóxia. Nunca sacuda a criança, nunca a coloque em banho frio para “diminuir a febre” durante a crise, e nunca administre medicamento por via oral. Após o episódio, a criança tende a ficar muito sonolenta — isso é normal, mas ela precisa ser avaliada por um pediatra, especialmente se for a primeira crise.

Crise Febril em Crianças: O Que NÃO Fazer

A crise febril acontece geralmente entre 6 meses e 5 anos, associada à elevação rápida da temperatura. É um evento normalmente benigno, mas assustador. Os erros mais comuns:

  • Mergulhar a criança em água gelada ou álcool — pode causar choque térmico e vasoconstrição;
  • Forçar a boca para dar antitérmico ou água;
  • Segurar os braços e pernas com força;
  • Sacudir a criança tentando “acordá-la”;
  • Ignorar o episódio e não levar ao pediatra depois.

O correto é lateralizar, proteger a cabeça, retirar o excesso de roupa (sem expor ao frio intenso) e levar ao pronto-socorro após a crise para investigação da causa da febre.

Mitos e Verdades Sobre Primeiros Socorros na Epilepsia

Muitos dos erros cometidos durante crises vêm de mitos repetidos há gerações. Vamos desmontar os principais.

Mito: A Pessoa Pode Engolir a Própria Língua

Anatomicamente, é impossível engolir a própria língua. Ela está fixada ao assoalho da boca pelo frênulo lingual e pela musculatura da base. O que pode ocorrer é a língua cair para trás e obstruir parcialmente a via aérea quando a pessoa está inconsciente em decúbito dorsal — e a solução para isso é justamente o que já explicamos: posicionar a vítima de lado. Colocar objetos ou dedos na boca não previne nada e só causa dano. Esse é, provavelmente, o mito mais perigoso da história dos primeiros socorros.

Mito: Segurar a Pessoa Evita Que Ela Se Machuque

Como já vimos, é exatamente o contrário. As contrações musculares durante a crise têm força suficiente para gerar fraturas quando encontram resistência externa. O trabalho do socorrista é modificar o ambiente ao redor — afastar móveis, amortecer a cabeça, lateralizar quando possível — e não conter o corpo. Essa mudança de paradigma, do “segurar” para o “proteger o entorno”, é um dos pontos mais reforçados em treinamentos práticos de suporte básico de vida e atendimento pré-hospitalar.

Saber teoricamente o que fazer é o primeiro passo, mas reagir corretamente sob pressão exige treinamento prático. Em uma emergência real, o corpo responde àquilo que foi treinado repetidamente, não àquilo que foi apenas lido. Por isso a 22Brasil Treinamentos, credenciada internacionalmente pelo HSI (Health and Safety Institute), estrutura seus cursos com até 85% de carga horária prática em BLS e 70% em APH, com simulações realísticas de crises convulsivas, obstrução de via aérea, PCR e trauma. Se você é profissional da saúde, bombeiro, educador (Lei Lucas), cuidador ou simplesmente alguém que quer estar preparado para salvar uma vida, conheça os cursos de Primeiros Socorros, BLS e APH da 22Brasil e fale com nossa equipe pelo WhatsApp para tirar dúvidas sobre a turma mais adequada ao seu perfil.

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Carlos Rodrigues é enfermeiro emergencista, pós-graduado pelo Centro Universitário São Camilo, especialista em APH Traumático e instrutor credenciado pela Health & Safety Institute (HSI) nos Estados Unidos — certificado para ministrar os cursos de BLS (Basic Life Support), Primeiros Socorros e EMR (Emergency Medical Responder), qualificações reconhecidas internacionalmente como padrão de excelência no cuidado pré-hospitalar. Com 9 anos de experiência e mais de 2.500 alunos formados, atuou em ocorrências de grande impacto como os alagamentos no Rio Grande do Sul, o acidente da Voepass em Vinhedo e o acidente da TAM em 2007 — o maior da história da aviação brasileira. Treina instituições como Instituto Cacau Show, Academia IronBerg e Exército Brasileiro, e é presença recorrente na mídia nacional, com participações na TV Gazeta, RedeVida, Rit TV e Rede Brasil.

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