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Close-up image of an interracial couple embracing while holding coffee cups, expressing warmth and connection.

Como fazer manobra de heimlich

Saber como fazer a manobra de Heimlich pode ser a diferença entre salvar ou perder uma vida em questão de segundos. O engasgo por obstrução de vias aéreas é uma emergência silenciosa e rápida: a vítima não consegue falar, tossir nem respirar, e o tempo de resposta do socorrista precisa ser imediato. Por isso, dominar essa técnica não é apenas um diferencial — é uma responsabilidade de quem atua ou pretende atuar em ambientes de saúde, segurança e resgate.

A manobra foi descrita pelo médico americano Henry Heimlich na década de 1970 e, desde então, tornou-se um dos procedimentos mais ensinados em cursos de primeiros socorros e atendimento pré-hospitalar no mundo inteiro. Sua execução correta envolve posicionamento preciso das mãos, angulação do corpo e força controlada — detalhes que fazem toda a diferença entre uma técnica eficaz e uma intervenção que pode causar lesões desnecessárias à vítima.

Neste artigo, você vai entender o passo a passo correto da manobra de Heimlich para adultos, crianças e situações específicas, com base nos protocolos mais atualizados. Se você é profissional de saúde, estudante, educador ou simplesmente alguém que quer estar preparado para agir em uma emergência real, continue a leitura.

O que é a manobra de Heimlich e quando usá-la

A manobra de Heimlich é uma técnica de desobstrução das vias aéreas superiores indicada quando um corpo estranho — geralmente um pedaço de alimento — bloqueia por completo a passagem de ar pela traqueia. Criada pelo cirurgião americano Henry Heimlich em 1974, ela se baseia em compressões abdominais subdiafragmáticas que provocam um aumento súbito da pressão intratorácica, simulando uma tosse forçada capaz de expulsar o objeto. É um dos procedimentos mais ensinados em cursos de primeiros socorros e suporte básico de vida, justamente porque o engasgo está entre as emergências domésticas mais frequentes e potencialmente fatais.

A técnica deve ser aplicada apenas diante de sinais claros de obstrução total: a vítima não consegue falar, tossir nem respirar. Em quadros leves, com tosse efetiva, o socorrista não deve intervir fisicamente — a tosse espontânea é o mecanismo mais eficaz de expulsão. Para aprofundar o conceito teórico, consulte nosso artigo dedicado a o que é a manobra de Heimlich.

Como identificar um engasgo grave (obstrução total das vias aéreas)

O reconhecimento rápido é decisivo: a obstrução total leva à parada cardiorrespiratória em poucos minutos. Os sinais clássicos são:

  • Sinal universal do engasgo: a vítima leva as duas mãos ao pescoço.
  • Incapacidade de falar, chorar ou emitir som.
  • Tosse ausente ou extremamente fraca e silenciosa.
  • Respiração ruidosa, com chiado, ou ausência completa de respiração.
  • Cianose (lábios, face e extremidades arroxeados) por falta de oxigenação.
  • Agitação inicial seguida de perda progressiva de consciência.

Pergunte de forma direta: “Você está engasgado?”. Se a pessoa acenar que sim e não conseguir responder verbalmente, a obstrução é total e a manobra precisa ser iniciada de imediato, enquanto alguém aciona o SAMU (192).

Passo a passo: como fazer a manobra de Heimlich em adultos conscientes

Antes de tocar na vítima, identifique-se como socorrista e peça permissão caso ela ainda esteja consciente. Posicione-se em pé, atrás da pessoa, com um dos pés ligeiramente à frente para manter equilíbrio — se ela desmaiar, você precisará amparar a queda.

Posicionamento correto das mãos no abdômen

Abrace a vítima pela cintura, passando os braços por baixo das axilas. Feche uma das mãos em punho e posicione-a com o polegar voltado para o abdômen, entre a cicatriz umbilical e o apêndice xifoide (a ponta inferior do esterno). Em seguida, cubra esse punho com a outra mão. Jamais apoie as mãos sobre as costelas ou sobre o xifoide, pois isso pode provocar fraturas, lesão hepática ou perfuração do diafragma.

Força e direção das compressões abdominais

As compressões devem seguir um movimento em “J” — para dentro e para cima — utilizando a força dos braços e do tronco, e não apenas dos punhos. O objetivo é elevar o diafragma e gerar pressão pulmonar suficiente para deslocar o objeto. Cada movimento precisa ser firme, isolado e vigoroso, como se fosse a última tentativa de salvar a vida da pessoa.

Quantas vezes repetir e quando parar

Realize ciclos de até 5 compressões abdominais, reavaliando após cada série se o objeto foi expelido. Mantenha os ciclos enquanto a vítima permanecer consciente e a obstrução não for resolvida. Interrompa imediatamente quando: o objeto for expelido, a vítima voltar a tossir, falar ou respirar normalmente, ou ela perder a consciência — neste último caso, inicie o protocolo de RCP.

Como fazer a manobra de Heimlich em bebês (menores de 1 ano)

Em lactentes, as compressões abdominais são contraindicadas pelo risco de lesão hepática grave, já que o fígado do bebê é proporcionalmente grande e pouco protegido pela caixa torácica. O protocolo correto combina golpes nas costas e compressões torácicas.

Golpes nas costas e compressões torácicas em lactentes: passo a passo

  1. Sente-se e apoie o bebê de bruços sobre o seu antebraço, com a cabeça mais baixa que o tronco. Sustente a mandíbula com os dedos, sem comprimir o pescoço.
  2. Aplique 5 golpes interescapulares (entre as escápulas) com a região hipotenar da mão, com força moderada e firme.
  3. Vire o bebê em bloco, agora de barriga para cima, mantendo a cabeça mais baixa.
  4. Localize o terço inferior do esterno (logo abaixo da linha intermamilar) e aplique 5 compressões torácicas com dois dedos, comprimindo cerca de 4 cm.
  5. Repita os ciclos de 5 golpes nas costas + 5 compressões torácicas até a desobstrução ou perda de consciência.

Nunca introduza o dedo às cegas na boca do bebê para tentar retirar o objeto — isso pode empurrá-lo ainda mais fundo. Só faça a remoção se ele estiver visível e ao alcance.

Como fazer a manobra de Heimlich em crianças (1 a 8 anos)

Nessa faixa etária, o protocolo se assemelha ao do adulto, com adaptações de força e altura. Ajoelhe-se atrás da criança para alcançar a posição correta e apoie o punho fechado entre o umbigo e o apêndice xifoide. Aplique compressões abdominais em “J”, com intensidade proporcional ao tamanho da criança — firme o bastante para deslocar o objeto, mas sem o vigor empregado em adultos. Realize ciclos de até 5 compressões e reavalie. Se houver dúvida sobre a intensidade, lembre-se: uma costela fraturada é reversível, uma parada hipóxica prolongada não.

Como fazer a manobra de Heimlich em gestantes e pessoas obesas

Em gestantes a partir do segundo trimestre e em pessoas com obesidade acentuada, o socorrista costuma não conseguir envolver o abdômen com os braços, e as compressões abdominais podem causar lesão fetal ou se mostrar ineficazes. Nesses casos, é preciso mudar o ponto de aplicação.

Compressões torácicas como alternativa às compressões abdominais

Posicione-se atrás da vítima e abrace-a pela linha das axilas. Feche o punho e apoie-o sobre o centro do esterno (a mesma referência usada para compressões torácicas da RCP), evitando o apêndice xifoide. Cubra com a outra mão e execute compressões firmes para trás, em direção à coluna, em ciclos de até 5 repetições. A mecânica produz o mesmo aumento de pressão intratorácica capaz de expelir o objeto, sem comprimir o útero gravídico ou o abdômen volumoso.

Como se aplicar a manobra de Heimlich sozinho (autoaplicação)

Se você estiver sozinho e engasgar, ainda assim é possível tentar a desobstrução. Há duas técnicas reconhecidas:

  • Autocompressão manual: feche o punho, apoie-o entre o umbigo e o xifoide, cubra com a outra mão e force para dentro e para cima, repetidamente.
  • Apoio em superfície rígida: incline-se sobre o encosto de uma cadeira, a quina de uma mesa ou de uma pia, posicionando a região abdominal no ponto correto, e empurre o corpo contra a superfície em movimento ascendente. Essa técnica costuma gerar mais pressão do que a autocompressão manual.

Antes de qualquer tentativa, se possível, ligue para o 192 e deixe a linha aberta — mesmo sem conseguir falar, o atendente pode rastrear a chamada.

Novas diretrizes 2025: o que mudou no protocolo de desengasgo

As Diretrizes AHA 2025 (American Heart Association), seguidas também pelos protocolos ASHI e adotadas nos treinamentos da 22Brasil, reforçaram a abordagem combinada para obstrução de vias aéreas em adultos e crianças maiores de 1 ano, aproximando o protocolo internacional do modelo europeu já consolidado.

Combinação de golpes nas costas e compressões abdominais segundo as novas recomendações

Em vez de aplicar somente compressões abdominais, recomenda-se hoje alternar 5 golpes interescapulares (com a vítima ligeiramente inclinada para frente) com 5 compressões abdominais, repetindo o ciclo até a desobstrução. Os golpes nas costas devem ser firmes, executados com a região hipotenar da mão, entre as escápulas. Essa associação aumenta de forma significativa a chance de sucesso na primeira intervenção e reduz o tempo de hipóxia. Para um detalhamento técnico do procedimento atualizado, veja também como é feita a manobra de Heimlich.

O que fazer se a vítima perder a consciência durante o engasgo

A perda de consciência indica hipóxia severa e exige mudança imediata de protocolo. Ampare a queda, deite a vítima em decúbito dorsal sobre superfície rígida e:

  1. Acione o SAMU (192), caso ainda não tenha sido feito, e solicite um DEA.
  2. Inicie RCP de alta performance: 30 compressões torácicas no centro do esterno, com profundidade de 5 a 6 cm e frequência de 100 a 120 por minuto.
  3. Antes de cada ventilação, abra a boca da vítima e verifique se o corpo estranho está visível. Se estiver, retire-o com a manobra de pinça (dedo indicador em gancho). Nunca introduza o dedo às cegas.
  4. Aplique 2 ventilações e retome as compressões. Mantenha o ciclo até a chegada do socorro avançado.

O domínio dessa transição entre desobstrução e RCP é uma das competências centrais do curso de BLS e do curso de APH, com simulações realísticas em manequins.

Erros mais comuns ao realizar a manobra de Heimlich (e como evitá-los)

  • Intervir em engasgo leve: se a vítima tosse com força, deixe-a tossir. A intervenção pode agravar a obstrução.
  • Posicionar as mãos sobre as costelas ou no xifoide: risco de fraturas e lesão hepática. Sempre acima do umbigo e abaixo do xifoide.
  • Aplicar compressões abdominais em bebês: contraindicado. Use golpes nas costas + compressões torácicas.
  • Bater nas costas com a vítima em pé e ereta: sem inclinação para frente, o objeto pode descer ainda mais.
  • Introduzir o dedo às cegas na boca: empurra o objeto e pode lesionar a orofaringe.
  • Não acionar o SAMU: mesmo após desobstrução bem-sucedida, a vítima precisa de avaliação médica.
  • Treinar apenas em vídeo: sem prática em manequim, a técnica falha sob estresse. Por isso a 22Brasil mantém 70% de carga prática em seus cursos.

Quando ligar para o SAMU (192) e o que informar ao atendente

Ligue para o 192 assim que reconhecer a obstrução total, em paralelo ao início da manobra — peça a outra pessoa que faça a chamada, ou coloque o celular no viva-voz. Ao atendente, repasse de forma objetiva:

  • Endereço completo, com ponto de referência.
  • O que aconteceu: “vítima engasgada, não consegue respirar”.
  • Idade aproximada e condição (consciente, inconsciente, gestante, bebê).
  • O que está sendo feito (manobra de Heimlich, RCP).
  • Seu nome e telefone para retorno.

Não desligue antes da autorização do atendente — ele orientará passo a passo até a chegada da equipe. A Portaria 2048 do Ministério da Saúde, base regulatória do atendimento pré-hospitalar no Brasil, prevê esse fluxo de regulação médica, e dominá-lo faz parte do conteúdo do curso de APH com certificação internacional.

FAQ: A manobra de Heimlich pode machucar a vítima?

Sim, pode causar fraturas de costela, hematomas abdominais e, raramente, lesões em órgãos internos como fígado e baço — sobretudo em idosos, gestantes e crianças. Ainda assim, esses riscos são amplamente justificados diante da alternativa: morte por asfixia em 4 a 6 minutos. Toda vítima submetida à manobra deve ser avaliada por um médico após a desobstrução, mesmo que pareça bem.

FAQ: Posso fazer a manobra de Heimlich em idosos?

Sim, com cautela. Idosos têm ossos mais frágeis e maior risco de fraturas costais, mas o protocolo é o mesmo do adulto. Use força suficiente para desobstruir, sem hesitar — uma fratura tratável é preferível a uma parada respiratória. Após a manobra, encaminhe sempre para avaliação médica, pois lesões internas podem ser silenciosas no início.

FAQ: Qual a diferença entre engasgo parcial e total?

No engasgo parcial, a vítima ainda consegue tossir, falar ou emitir sons — há passagem de ar. A conduta é incentivar a tosse e não aplicar a manobra. No engasgo total, não há som, tosse nem respiração; a vítima leva as mãos ao pescoço e desenvolve cianose. Nessa situação, a manobra de Heimlich precisa ser iniciada de imediato.

FAQ: A manobra de Heimlich é indicada para animais de estimação?

Existem adaptações veterinárias para cães e gatos, mas elas fogem do escopo dos cursos de primeiros socorros humanos. Para animais, procure orientação de um médico veterinário. Os protocolos da 22Brasil, baseados nas diretrizes AHA, ASHI, PHTLS e na Portaria 2048, são voltados exclusivamente para vítimas humanas.

FAQ: O que fazer após a manobra de Heimlich ser bem-sucedida?

Mesmo com a expulsão do objeto e retorno da respiração normal, a vítima precisa ser obrigatoriamente avaliada por um médico. Pode haver lesões abdominais ocultas decorrentes das compressões, irritação da via aérea, microaspiração ou edema laríngeo tardio. Mantenha a pessoa calma, em posição confortável, ofereça pequenos goles de água apenas se ela estiver totalmente alerta e leve-a ao pronto-socorro ou aguarde o SAMU.

FAQ: Heimlich ainda é o nome correto do procedimento segundo as novas diretrizes?

Tecnicamente, as diretrizes atuais preferem o termo “compressões abdominais” ou “manobras de desobstrução de vias aéreas”, dentro de um protocolo combinado com golpes nas costas. “Manobra de Heimlich” segue sendo o nome popular e amplamente reconhecido, aceito tanto no meio leigo quanto em materiais didáticos. O essencial não é a nomenclatura, mas executar o procedimento corretamente — algo que só se consolida com treinamento prático supervisionado, como o oferecido nos cursos presenciais da 22Brasil Socorristas, em São Paulo.

Carlos Rodrigues é enfermeiro emergencista, pós-graduado pelo Centro Universitário São Camilo, especialista em APH Traumático e instrutor credenciado pela Health & Safety Institute (HSI) nos Estados Unidos — certificado para ministrar os cursos de BLS (Basic Life Support), Primeiros Socorros e EMR (Emergency Medical Responder), qualificações reconhecidas internacionalmente como padrão de excelência no cuidado pré-hospitalar. Com 9 anos de experiência e mais de 2.500 alunos formados, atuou em ocorrências de grande impacto como os alagamentos no Rio Grande do Sul, o acidente da Voepass em Vinhedo e o acidente da TAM em 2007 — o maior da história da aviação brasileira. Treina instituições como Instituto Cacau Show, Academia IronBerg e Exército Brasileiro, e é presença recorrente na mídia nacional, com participações na TV Gazeta, RedeVida, Rit TV e Rede Brasil.

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