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A tired paramedic sitting in an ambulance, hand on head, indicative of stress.

Crise epiléptica o que fazer?

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Saber o que fazer durante uma crise epiléptica pode ser a diferença entre proteger uma vida e agravar uma situação já delicada. Apesar de relativamente comum — a epilepsia afeta cerca de 50 milhões de pessoas no mundo —, a convulsão ainda gera pânico em quem presencia, justamente porque a maioria das pessoas nunca recebeu orientação adequada sobre como agir nos primeiros minutos.

A resposta correta envolve alguns passos fundamentais: proteger a cabeça da vítima, afastar objetos que possam causar lesões, posicioná-la de lado após a crise para evitar aspiração e cronometrar a duração da convulsão. O que não se deve fazer é igualmente importante — nunca segurar a pessoa com força, jamais colocar objetos na boca e não tentar conter os movimentos. Essas ações, contrariando o instinto de “fazer algo”, podem causar fraturas, lesões dentárias e até asfixia.

Conhecer esse protocolo de forma prática e consolidada faz parte da formação de qualquer profissional que atua em emergências. Para quem trabalha na área da saúde, no resgate ou em ambientes com alto fluxo de pessoas, dominar o atendimento a crises neurológicas não é diferencial — é obrigação técnica.

O Que Fazer Imediatamente Durante uma Crise Epiléptica: Guia Passo a Passo

Presenciar uma crise epiléptica pode ser assustador, mas a atitude de quem está por perto faz toda a diferença para evitar traumas, aspiração de secreções e complicações graves. A boa notícia é que o socorro leigo segue uma sequência simples, baseada em protocolos internacionais e nas diretrizes da American Heart Association (AHA) e do PHTLS. Não é preciso ser médico para agir corretamente — é preciso saber exatamente o que fazer e, principalmente, o que não fazer.

Passo 1 — Mantenha a Calma e Chame Atenção dos Presentes

A crise costuma durar entre 1 e 3 minutos e, na maioria dos casos, cessa espontaneamente. Respire fundo, olhe no relógio e mantenha o controle emocional: o socorrista em pânico atrapalha o atendimento. Peça a alguém que se aproxime para ajudar a afastar curiosos, garantir espaço e, se necessário, ligar para o SAMU (192). Um socorro organizado começa pela liderança da cena — princípio ensinado logo no início de qualquer curso de primeiros socorros sério.

Passo 2 — Proteja a Cabeça e Afaste Objetos Perigosos

A cabeça é a região que mais sofre em uma crise tônico-clônica generalizada. Coloque algo macio embaixo dela — uma blusa dobrada, uma bolsa, uma mochila. Afaste móveis pontiagudos, cadeiras, copos de vidro, tesouras e qualquer objeto que possa ferir a pessoa durante os movimentos involuntários. Se ela estiver de óculos, retire-os. Afrouxe roupas apertadas no pescoço, como gravata, colar ou o botão superior da camisa, para facilitar a respiração.

Passo 3 — Posicione a Pessoa de Lado (Posição de Recuperação)

Assim que possível — idealmente quando os movimentos começarem a diminuir — vire a pessoa de lado, em decúbito lateral. Essa é a chamada posição de recuperação e cumpre uma função vital: permite que saliva, sangue ou vômito escorram pela boca, evitando broncoaspiração. Nunca force a virada durante os espasmos mais intensos; espere o momento adequado. Mantenha o pescoço levemente estendido para preservar a via aérea.

Passo 4 — Cronometre a Duração da Crise

Cronometrar é uma das tarefas mais úteis do socorrista leigo. A partir de 5 minutos de crise contínua, considera-se estado de mal epiléptico, uma emergência com risco de sequelas neurológicas e morte. Anote também a hora em que a crise começou, o que a pessoa fazia antes, se houve queda, quais partes do corpo foram afetadas e se houve liberação esfincteriana. Essas informações serão cruciais para o médico.

Passo 5 — Fique ao Lado Até a Recuperação Completa

Depois que os movimentos cessam, a pessoa entra na fase pós-ictal, com sonolência, confusão e desorientação. Nunca deixe o paciente sozinho. Fale com calma, identifique-se, informe que houve uma crise e que está tudo bem. Verifique respiração e coloração da pele. Só considere o atendimento encerrado quando ela recuperar totalmente a consciência e a orientação temporal e espacial.

Quando Ligar para o SAMU (192) ou Ir ao Pronto-Socorro

Nem toda crise epiléptica exige ambulância — pessoas com epilepsia diagnosticada e crises frequentes de curta duração muitas vezes se recuperam bem em casa. Porém, existem sinais objetivos que tornam a chamada ao 192 obrigatória.

Sinais de Emergência Que Exigem Atendimento Médico Imediato

  • Crise com duração superior a 5 minutos.
  • Segunda crise sequencial sem recuperação da consciência entre elas.
  • Primeira crise epiléptica na vida do indivíduo (sem diagnóstico prévio).
  • Crise durante gravidez ou em pessoa com diabetes.
  • Crise dentro d’água (risco de aspiração — veja também o que fazer em caso de afogamento).
  • Lesões visíveis após a queda (corte profundo, suspeita de fratura, trauma craniano).
  • Dificuldade respiratória, cianose (lábios roxos) ou ausência de recuperação da consciência após 15 minutos.
  • Febre alta associada, especialmente em crianças.

Ao ligar para o SAMU, informe endereço completo, idade aproximada da vítima, tempo da crise, se é a primeira vez e se há doenças conhecidas. Não desligue antes do atendente autorizar.

O Que é Estado de Mal Epiléptico e Por Que É Perigoso

O estado de mal epiléptico (status epilepticus) é definido como crise contínua com mais de 5 minutos ou como duas ou mais crises consecutivas sem recuperação da consciência. É uma emergência neurológica com mortalidade que pode ultrapassar 20%. A atividade elétrica prolongada causa lesão neuronal, edema cerebral, acidose metabólica, hipertermia e falência respiratória. O tratamento exige medicação endovenosa (benzodiazepínicos, fenitoína) administrada por equipe de APH ou hospitalar — motivo pelo qual a formação prática de socorristas é indispensável.

O Que NÃO Fazer Durante uma Crise Epiléptica

Muitos erros cometidos por leigos vêm de mitos culturais antigos que, longe de ajudar, causam lesões sérias na vítima e no próprio socorrista.

Não Segure a Pessoa Nem Tente Imobilizá-la

Tentar segurar braços e pernas durante os espasmos pode causar luxações de ombro, fraturas de costelas e lesões musculares. A força dos movimentos tônico-clônicos é involuntária e ceder a ela mecanicamente é impossível. O papel do socorrista é proteger o ambiente ao redor da vítima, não conter o corpo dela.

Não Coloque Nada na Boca — O Mito da Língua Engolida

Este é o erro mais comum e mais perigoso. É fisicamente impossível engolir a própria língua: ela está presa ao assoalho da boca pelo frênulo lingual. Introduzir colher, pano, carteira, dedo ou qualquer objeto na boca durante a crise pode quebrar dentes, causar aspiração desses fragmentos, obstruir a via aérea e — em caso de dedos — provocar amputações traumáticas por mordedura reflexa. A conduta correta é apenas virar a cabeça de lado.

Não Ofereça Água ou Medicamentos Pela Boca Durante a Crise

Durante e imediatamente após a crise, o reflexo de deglutição está comprometido. Qualquer líquido ou comprimido oferecido pela boca pode ir direto para os pulmões, causando pneumonia aspirativa. Medicações de resgate prescritas devem seguir a via indicada pelo médico (geralmente retal, nasal ou bucal específica) — nunca improvise.

Não Tente Reanimar ou Fazer Respiração Boca a Boca Desnecessariamente

Durante a crise, a respiração pode parecer irregular, ruidosa ou até parar por breves segundos — isso é esperado. RCP e ventilação de resgate só estão indicadas se, após o fim dos movimentos, a pessoa permanecer sem respiração e sem pulso. Iniciar compressões torácicas em quem ainda tem circulação pode causar fraturas costais graves. A avaliação correta segue o protocolo XABCDE, ensinado com profundidade em cursos de BLS — Suporte Básico de Vida e APH.

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O Que É uma Crise Epiléptica: Entenda em 2 Minutos

Diferença Entre Crise Epiléptica, Epilepsia e Convulsão

Esses três termos são frequentemente confundidos, inclusive por profissionais. Crise epiléptica é o evento clínico causado por uma descarga elétrica anormal e sincronizada de neurônios cerebrais. Epilepsia é a doença crônica caracterizada pela predisposição a ter crises epilépticas recorrentes e não provocadas — o diagnóstico exige, em geral, pelo menos duas crises. Já convulsão é um termo mais amplo, popularmente usado para descrever movimentos involuntários do corpo, que podem ou não ter origem epiléptica (existem convulsões por hipoglicemia, febre, intoxicações, etc.). Para aprofundar essa distinção, veja também nosso guia sobre convulsão: o que fazer em primeiros socorros.

Tipos de Crise Epiléptica e Como Cada Uma Se Manifesta

  • Crise tônico-clônica generalizada: a mais conhecida. Perda de consciência, rigidez muscular (fase tônica) seguida de abalos rítmicos (fase clônica), sialorreia, possível liberação esfincteriana.
  • Crise de ausência: mais comum em crianças. A pessoa fica com o olhar fixo por 5 a 30 segundos, sem responder a estímulos, e retoma a atividade como se nada tivesse acontecido.
  • Crise focal (parcial): acomete uma área específica do cérebro. Pode causar movimentos involuntários em apenas um lado do corpo, sensações estranhas, alucinações visuais ou olfativas, com ou sem alteração da consciência.
  • Crise mioclônica: abalos musculares súbitos e breves, como choques.
  • Crise atônica: perda súbita do tônus muscular, com queda ao chão.

Causas Mais Comuns de uma Crise Epiléptica

Nem toda crise significa epilepsia. Entre as causas provocadas mais frequentes estão: traumatismo cranioencefálico, acidente vascular cerebral (AVC), tumores cerebrais, meningites e encefalites, hipoglicemia, distúrbios hidroeletrolíticos (sódio, cálcio), abstinência de álcool e drogas, intoxicações medicamentosas, febre alta em crianças e privação prolongada de sono. Identificar o gatilho orienta o tratamento e evita novas crises.

Como Ajudar uma Criança Durante uma Crise Epiléptica

Diferenças no Atendimento Entre Adultos e Crianças

O protocolo básico é o mesmo: proteger, lateralizar, cronometrar, não colocar nada na boca. Porém, crianças têm particularidades importantes: via aérea proporcionalmente mais estreita (maior risco de obstrução), reserva metabólica menor (crises prolongadas descompensam mais rápido) e maior sensibilidade emocional na fase pós-ictal. Retire brinquedos duros do redor, apoie a cabeça com uma peça macia e nunca segure os membros. Se a criança usa chupeta ou tem alimentos na boca, tente removê-los com cuidado antes da crise se possível — durante, jamais introduza os dedos.

Crise Febril em Bebês e Crianças Pequenas: O Que Fazer

A crise febril acomete crianças entre 6 meses e 5 anos, geralmente com temperatura acima de 38,5°C. É assustadora, mas na maioria das vezes benigna e autolimitada. As condutas são:

  • Deitar a criança de lado em superfície segura.
  • Não tentar baixar a febre com álcool, gelo ou banho frio durante a crise.
  • Cronometrar; se ultrapassar 5 minutos, chamar o SAMU.
  • Após a crise, oferecer antitérmico prescrito pelo pediatra e procurar avaliação médica, especialmente na primeira ocorrência.

Toda família com criança pequena deveria conhecer também outras urgências pediátricas comuns, como como evitar engasgo em bebê e o que fazer quando o bebê perde o fôlego.

O Que Acontece Depois da Crise: A Fase Pós-Ictal

Sintomas Normais Após a Crise: Confusão, Sonolência e Dor Muscular

A fase pós-ictal pode durar de poucos minutos a algumas horas. É esperado que a pessoa apresente: sonolência intensa, confusão mental, dificuldade para falar ou lembrar do ocorrido, dor de cabeça, dores musculares generalizadas (efeito das contrações), mordedura lateral da língua, cansaço extremo e, às vezes, agitação psicomotora ou choro. Alguns pacientes apresentam a chamada paralisia de Todd, uma fraqueza temporária em um lado do corpo que pode ser confundida com AVC — regride espontaneamente em minutos ou horas.

Como Acolher e Orientar a Pessoa Após a Crise

Fale em tom baixo e calmo. Identifique-se: “Sou fulano, você teve uma crise, está seguro”. Informe onde ela está, que horas são e o que aconteceu — a orientação repetida acelera a reintegração cognitiva. Ofereça um local reservado, longe de curiosos e câmeras (episódios filmados constrangem a vítima e violam sua dignidade). Só ofereça água quando a pessoa estiver plenamente desperta, capaz de conversar e engolir sem esforço. Verifique se houve ferimentos durante a queda — cortes, hematomas ou traumas devem ser avaliados. Se a vítima chegar a desmaiar novamente, revise nosso conteúdo sobre o que fazer em caso de desmaio.

Como Se Preparar Caso Conviva com Alguém que Tem Epilepsia

Familiares, cuidadores, professores e colegas de trabalho de pessoas com epilepsia precisam de preparo prático. A antecipação transforma o pânico em conduta técnica.

Monte um Plano de Ação Personalizado com o Médico

Solicite ao neurologista um plano escrito de emergência contendo: tipo de crise habitual, duração média, gatilhos conhecidos, medicações de uso contínuo, medicação de resgate (nome, dose, via, quando usar), contatos de emergência e hospital de referência. Deixe cópias no armário da cozinha, na mochila da criança (para a escola — obrigatório em creches e escolas conforme a Lei Lucas) e no local de trabalho. Todo educador tem, por lei, obrigação de saber primeiros socorros.

Medicamentos de Resgate: Quando e Como Usar

Os medicamentos de resgate mais prescritos no Brasil são benzodiazepínicos em apresentações não injetáveis — diazepam retal, midazolam bucal ou nasal. Só devem ser administrados conforme prescrição médica formal, geralmente após 3 a 5 minutos de crise contínua. Nunca improvise doses, nunca administre comprimidos pela boca durante a crise e nunca aplique injeções sem treinamento. Registre no plano de ação a hora da administração para informar ao SAMU.

Adaptações no Ambiente Doméstico para Reduzir Riscos

  • Prefira chuveiro a banheira; instale piso antiderrapante no banheiro.
  • Use protetores de quina em móveis, especialmente em quartos e salas.
  • Evite escadas sem corrimão e travas em portas de banheiro.
  • Cozinhe preferencialmente nas bocas de trás do fogão e use panelas com cabos virados para dentro.
  • Mantenha um kit de primeiros socorros completo e acessível.
  • Oriente todos os moradores — inclusive crianças mais velhas — sobre os 5 passos do atendimento.
  • Evite banhos muito quentes e piscinas sem supervisão.

Saber agir diante de uma crise epiléptica é uma habilidade que salva vidas, mas o socorro pré-hospitalar vai muito além disso: envolve avaliação primária (XABCDE), RCP de alta performance, uso de DEA, manejo de trauma, hemorragias, queimados e triagem de múltiplas vítimas. Se você é profissional ou estudante da saúde, bombeiro, condutor de veículo de emergência ou agente de segurança e quer transformar essa preocupação em atuação técnica qualificada, conheça o Curso de APH (Atendimento Pré-Hospitalar) da 22Brasil Socorristas — 200 horas, 70% práticas, coordenação do enfermeiro emergencista Carlos Rodrigues e certificação internacional HSI. Se você é educador, cuidador ou trabalha em escola, o curso de Primeiros Socorros Lei Lucas é o caminho para cumprir a legislação e proteger as crianças sob seus cuidados. Fale com nossa equipe pelo WhatsApp e dê o próximo passo para se tornar quem faz a diferença na hora que mais importa.

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Carlos Rodrigues é enfermeiro emergencista, pós-graduado pelo Centro Universitário São Camilo, especialista em APH Traumático e instrutor credenciado pela Health & Safety Institute (HSI) nos Estados Unidos — certificado para ministrar os cursos de BLS (Basic Life Support), Primeiros Socorros e EMR (Emergency Medical Responder), qualificações reconhecidas internacionalmente como padrão de excelência no cuidado pré-hospitalar. Com 9 anos de experiência e mais de 2.500 alunos formados, atuou em ocorrências de grande impacto como os alagamentos no Rio Grande do Sul, o acidente da Voepass em Vinhedo e o acidente da TAM em 2007 — o maior da história da aviação brasileira. Treina instituições como Instituto Cacau Show, Academia IronBerg e Exército Brasileiro, e é presença recorrente na mídia nacional, com participações na TV Gazeta, RedeVida, Rit TV e Rede Brasil.

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