
Infarto o que fazer primeiros socorros?
Saber o que fazer diante de um infarto pode ser a diferença entre a vida e a morte de alguém. Quando uma pessoa apresenta sinais como dor intensa no peito, falta de ar, suor frio e formigamento no braço esquerdo, cada segundo conta — e os primeiros socorros para infarto precisam ser aplicados de forma correta antes mesmo que o socorro médico chegue. Reconhecer a emergência rapidamente e agir com segurança são habilidades que não surgem por instinto: elas são treinadas.
Nos primeiros minutos de um evento cardíaco, a atuação de quem está presente pode preservar o funcionamento do cérebro e do coração até a chegada do SAMU ou do resgate. Por isso, conhecer o protocolo correto — incluindo quando e como iniciar a RCP, como acionar o serviço de emergência e como utilizar um DEA — é fundamental tanto para leigos quanto para profissionais de saúde e segurança.
Neste artigo, você vai entender o passo a passo dos primeiros socorros no infarto, baseado nos protocolos mais atualizados da American Heart Association (AHA 2025), e descobrir por que o treinamento prático é indispensável para agir com confiança em situações reais de emergência.
O Que Fazer em Caso de Infarto: Guia Completo de Primeiros Socorros
O infarto agudo do miocárdio é uma das principais causas de morte no Brasil, e a diferença entre a vida e a morte muitas vezes se mede em minutos. Saber reconhecer os sinais e agir corretamente nos primeiros instantes pode preservar tecido cardíaco, evitar sequelas neurológicas e, principalmente, salvar a vida da vítima até a chegada do socorro especializado. Este guia foi elaborado por instrutores da 22Brasil Socorristas com base nos protocolos mais atualizados da AHA (American Heart Association), PHTLS e Portaria 2048 do Ministério da Saúde, e traz o que qualquer pessoa — leigo ou profissional de saúde — precisa dominar sobre atendimento pré-hospitalar em casos de infarto.
O infarto acontece quando uma artéria coronária é obstruída (geralmente por um coágulo sobre uma placa de gordura), interrompendo o fluxo sanguíneo para uma parte do músculo cardíaco. Sem oxigênio, essa região começa a morrer em poucos minutos. Por isso o conceito de “tempo é músculo”: cada minuto sem atendimento adequado significa mais células cardíacas perdidas de forma permanente. Entender o que fazer — e o que não fazer — é uma responsabilidade que ultrapassa a área da saúde.
Como Reconhecer um Infarto: Sintomas que Não Podem Ser Ignorados
O reconhecimento precoce é o primeiro elo da chamada “corrente da sobrevivência”. Muitas vítimas demoram horas para procurar ajuda porque confundem os sintomas com azia, cansaço ou estresse. Esse atraso é o principal responsável pelas mortes evitáveis por infarto no país.
Sintomas Clássicos do Infarto em Homens
Nos homens, o quadro tende a ser mais “clássico” e reconhecível. Os sinais mais frequentes incluem:
- Dor ou aperto no centro do peito, com sensação de peso, queimação ou opressão, que dura mais de 20 minutos e não melhora com repouso;
- Irradiação da dor para o braço esquerdo, ombro, mandíbula, pescoço ou costas;
- Suor frio abundante, palidez e pele fria e pegajosa;
- Falta de ar (dispneia), náuseas e vômitos;
- Sensação de morte iminente ou angústia intensa.
A dor típica é descrita como “um elefante sentado no peito” e frequentemente aparece durante esforço físico, estresse emocional ou logo após refeições volumosas.
Sintomas do Infarto em Mulheres (e Por Que São Diferentes)
Nas mulheres, o infarto costuma se manifestar de forma mais sutil e atípica, o que explica por que muitos casos são subdiagnosticados. Os sintomas femininos mais comuns são:
- Cansaço extremo e inexplicável, que pode surgir dias antes;
- Falta de ar sem dor torácica evidente;
- Dor nas costas, no estômago ou na mandíbula;
- Náuseas, tontura e sensação de indigestão;
- Ansiedade intensa e distúrbios do sono.
Essa diferença ocorre por fatores hormonais e pela distribuição das placas ateroscleróticas em artérias menores. Mulheres com diabetes, hipertensão ou na pós-menopausa devem redobrar a atenção diante de qualquer desses sinais.
Sinais de Alerta que Podem Aparecer Horas Antes do Infarto
Em grande parte dos casos, o corpo emite avisos com horas ou até dias de antecedência. Os chamados sintomas prodrômicos incluem desconforto torácico intermitente, palpitações, sudorese sem motivo aparente, fadiga desproporcional às atividades, dor leve no braço esquerdo ou na mandíbula, e episódios de falta de ar aos pequenos esforços. Ignorar esses sinais é o erro mais comum — e mais fatal.
Passo a Passo: O Que Fazer Imediatamente ao Suspeitar de um Infarto
Ao identificar sinais compatíveis com infarto, o socorrista leigo deve seguir uma sequência clara. Cada passo tem um objetivo específico e não deve ser pulado.
Passo 1 — Ligue Imediatamente para o SAMU (192) ou Bombeiros (193)
Este é o passo mais importante. Ligue antes de qualquer outra ação. Informe com clareza: endereço completo com ponto de referência, o que está acontecendo (dor no peito há X minutos, suor, falta de ar), idade aproximada e estado de consciência da vítima. Mantenha a linha aberta — o médico regulador dará orientações em tempo real. Nunca desligue antes de ser autorizado.
Passo 2 — Mantenha a Vítima em Repouso e Posição Adequada
Coloque a vítima sentada ou semi-sentada, com o tronco levemente elevado e as pernas relaxadas — a chamada posição de Fowler. Essa postura reduz o retorno venoso ao coração e alivia o trabalho cardíaco. Se a vítima insistir em andar, contenha com firmeza e explique que qualquer esforço aumenta o risco. Nunca a coloque deitada em decúbito dorsal se estiver consciente e com falta de ar.
Passo 3 — Afrouxe Roupas e Acessórios que Dificultem a Respiração
Abra o primeiro botão da camisa, afrouxe gravatas, cintos, sutiãs e qualquer peça apertada no pescoço, tórax ou abdome. Retire correntes e colares. O objetivo é facilitar a expansão torácica e reduzir a ansiedade da vítima. Se o ambiente for quente ou abafado, ventile o local, mas evite correntes de vento diretas.
Passo 4 — Monitore a Consciência e a Respiração da Vítima
Fale com a vítima em tom calmo e firme, perguntando o nome, a idade e se sente dor. Observe o padrão respiratório: frequência, profundidade, presença de gasping (respiração agônica). Cheque o pulso radial ou carotídeo se souber fazê-lo. Qualquer alteração — perda de consciência, respiração irregular, palidez extrema — deve ser comunicada imediatamente ao regulador do SAMU.
Passo 5 — Inicie a RCP se a Vítima Perder a Consciência e Parar de Respirar
Se a vítima desmaiar, não responder a estímulos e não estiver respirando normalmente (ou apresentar apenas gasping), você está diante de uma parada cardiorrespiratória (PCR). Inicie imediatamente as compressões torácicas. A partir deste momento, cada segundo conta: a sobrevivência cai cerca de 10% a cada minuto sem RCP e desfibrilação.
Como Fazer Reanimação Cardiopulmonar (RCP) Corretamente
A RCP de alta performance é a habilidade mais importante que qualquer socorrista deve dominar. As Diretrizes AHA 2025 reforçam a prioridade das compressões torácicas de qualidade sobre qualquer outra intervenção. Um bom curso de primeiros socorros presencial é essencial para treinar essa técnica em manequins realísticos.
Compressões Torácicas: Técnica, Ritmo e Profundidade Corretos
Posicione a vítima em superfície rígida (chão). Ajoelhe-se ao lado dela, apoie a região hipotenar (base da palma) sobre o centro do tórax, entre os mamilos, e entrelace os dedos da outra mão por cima. Mantenha os braços esticados, ombros alinhados sobre as mãos, e comprima usando o peso do tronco. Parâmetros oficiais AHA 2025:
- Frequência: 100 a 120 compressões por minuto;
- Profundidade: 5 a 6 cm em adultos;
- Retorno total do tórax entre uma compressão e outra (não apoie o peso);
- Minimize interrupções: pausas menores que 10 segundos.
Se estiver sozinho e não treinado em ventilação, faça apenas compressões contínuas (“hands-only CPR”) até o SAMU chegar ou um DEA estar disponível.
Ventilação Boca a Boca: Quando e Como Realizar
Se você é treinado, alterne 30 compressões por 2 ventilações. Faça a hiperextensão da cabeça (manobra de inclinação da cabeça e elevação do queixo), pince o nariz da vítima, sele os lábios sobre a boca dela e sopre por cerca de 1 segundo, observando a elevação do tórax. Em ambiente com desconhecidos, o ideal é usar máscara de bolso (pocket mask) ou dispositivo de barreira. Sem barreira, priorize compressões contínuas.
Como Usar o Desfibrilador Externo Automático (DEA)
Assim que um DEA estiver disponível, ligue o aparelho e siga rigorosamente as instruções de voz. Exponha o tórax da vítima (seque se estiver molhado, retire adesivos e afaste pelos se necessário) e cole as pás conforme a figura: uma abaixo da clavícula direita e outra na linha axilar esquerda. Afaste-se durante a análise do ritmo e durante o choque, garantindo que ninguém toque na vítima. Após o choque (ou se o aparelho indicar “choque não recomendado”), retome imediatamente as compressões por mais 2 minutos até a próxima análise.
O Que NÃO Fazer Durante um Infarto: Erros que Podem Custar uma Vida
Tão importante quanto saber agir é saber o que evitar. Alguns hábitos populares, transmitidos de geração em geração, são perigosos e podem agravar o quadro.
Dar Água, Alimentos ou Medicamentos Sem Orientação Médica
Oferecer água, chá, café ou qualquer alimento a uma vítima em suspeita de infarto é perigoso. Se ela perder a consciência, o conteúdo pode ser aspirado para os pulmões, causando broncoaspiração. Também não administre medicamentos por conta própria — nem mesmo os que a vítima já usa — sem autorização expressa do médico regulador do SAMU.
Deixar a Vítima ir de Carro Particular ao Hospital
Este é um dos erros mais graves. A ambulância do SAMU chega com equipe treinada, monitor cardíaco, desfibrilador, oxigênio e medicações intravenosas — o atendimento já começa dentro do veículo, com regulação para o hospital mais adequado. No carro particular, se a vítima entrar em PCR, ninguém poderá reanimá-la enquanto o motorista dirige. Sempre aguarde o resgate.
Ignorar os Sintomas por Achá-los Passageiros
Muitas vítimas — e familiares — tentam “esperar passar”, tomam antiácido, deitam para descansar. Esse atraso reduz drasticamente as chances de sobrevida e aumenta o risco de sequelas como insuficiência cardíaca crônica. Na dúvida, ligue 192. Alarme falso não custa nada; um infarto ignorado custa uma vida.
Infarto x Princípio de Infarto: Qual a Diferença e Como Agir em Cada Caso
Popularmente, “princípio de infarto” descreve um episódio de dor torácica intensa que se resolve espontaneamente ou com atendimento rápido, sem grande dano ao músculo cardíaco. Do ponto de vista médico, pode corresponder a uma angina instável ou a um infarto de pequena extensão (IAM sem supra de ST). O grande equívoco é achar que “princípio de infarto” é algo leve — na verdade, é um aviso urgente de que o coração está sofrendo isquemia e pode evoluir para um infarto completo a qualquer momento.
A conduta pré-hospitalar é exatamente a mesma: acionar o SAMU, manter a vítima em repouso, monitorar sinais vitais e estar pronto para iniciar a RCP. A diferenciação entre angina, “princípio” e infarto consolidado só é possível com eletrocardiograma e exames laboratoriais (troponina) no hospital. Nunca minimize o quadro em campo.
Dor no Peito é Sempre Infarto? Como Diferenciar de Outras Causas
Nem toda dor torácica é infarto, mas toda dor torácica intensa e súbita deve ser tratada como se fosse, até prova em contrário. Entender as diferenças ajuda no raciocínio clínico, mas não substitui avaliação médica.
Infarto x Angina: Diferenças Importantes
A angina estável é uma dor no peito que aparece em situações previsíveis (esforço, estresse), dura poucos minutos e melhora com repouso ou nitrato sublingual. Já o infarto apresenta dor mais intensa, prolongada (mais de 20 minutos), que não cede com repouso e vem acompanhada de sudorese, náuseas e falta de ar. A angina instável — dor em repouso ou em crescendo — é considerada uma síndrome coronariana aguda e deve receber o mesmo atendimento emergencial do infarto.
Infarto x Ansiedade e Síndrome do Pânico
Crises de pânico podem simular um infarto: taquicardia, aperto no peito, falta de ar, formigamento e sensação de morte iminente. As diferenças-chave: na crise de ansiedade a dor costuma ser pontual, em pontada, muda com a respiração e vem acompanhada de hiperventilação intensa; no infarto a dor é constritiva, difusa e associada a sudorese fria e palidez. Ainda assim, na dúvida, trate como infarto — especialmente em pessoas com fatores de risco cardiovascular.
Fatores de Risco para Infarto: Quem Deve Estar em Alerta
Conhecer o próprio perfil de risco é parte essencial da prevenção. Os principais fatores de risco cardiovascular são:
- Não modificáveis: idade acima de 45 anos (homens) ou 55 (mulheres), histórico familiar de doença coronariana precoce, sexo masculino, fatores genéticos;
- Modificáveis: tabagismo, hipertensão arterial, diabetes mellitus, colesterol alto (LDL elevado, HDL baixo), obesidade abdominal, sedentarismo, dieta rica em gorduras saturadas e ultraprocessados, estresse crônico, consumo excessivo de álcool, apneia do sono e uso de drogas estimulantes (cocaína, anfetaminas).
Pessoas com dois ou mais fatores modificáveis devem realizar check-up cardiológico anual, incluindo eletrocardiograma, teste ergométrico e perfil lipídico. Saber como agir em emergências também deve fazer parte da rotina de quem tem familiares no grupo de risco.
Prevenção do Infarto: Hábitos que Protegem o Coração
A maior parte dos infartos pode ser evitada com mudanças de estilo de vida. As recomendações consolidadas pelas principais sociedades de cardiologia incluem:
- Atividade física regular: pelo menos 150 minutos semanais de exercício aeróbico moderado (caminhada, bicicleta, natação);
- Alimentação equilibrada: dieta mediterrânea, rica em vegetais, frutas, azeite, peixes e grãos integrais; baixa em sal, açúcar e gorduras trans;
- Cessação do tabagismo: parar de fumar reduz o risco cardiovascular pela metade em um ano;
- Controle da pressão arterial, glicemia e colesterol com acompanhamento médico;
- Sono de qualidade: 7 a 8 horas por noite, tratando apneia se presente;
- Manejo do estresse: meditação, terapia, atividades de lazer;
- Capacitação em emergências: aprender RCP e primeiros socorros para agir por si e pelos seus.
Vale reforçar: além do infarto, saber lidar com outras emergências como convulsões, desmaios e queimaduras multiplica sua capacidade de proteger vidas em qualquer ambiente.
FAQ: O que fazer se eu estiver sozinho e sentir sintomas de infarto?
Ligue imediatamente para o SAMU (192) e deixe a porta da residência destrancada, se possível. Sente-se ou apoie-se em local seguro (evite ficar em pé para não cair), respire com calma e mantenha o telefone em mãos. Não tente dirigir até o hospital — o risco de perder a consciência ao volante é alto. Se possível, avise um vizinho ou familiar por mensagem. A técnica de “tossir para reverter o infarto”, divulgada em correntes de internet, não tem eficácia comprovada e pode atrasar o socorro real.
FAQ: Posso dar aspirina para quem está tendo um infarto?
O AAS (ácido acetilsalicílico) 300 mg mastigado tem efeito antiagregante plaquetário e é usado no atendimento pré-hospitalar do infarto — mas somente sob orientação médica, seja do regulador do SAMU pelo telefone, seja da equipe de resgate. Nunca administre por conta própria, pois há contraindicações importantes (úlcera ativa, alergia ao AAS, suspeita de AVC hemorrágico, dissecção de aorta). Ligue 192 primeiro e siga as instruções do médico regulador.
FAQ: Quanto tempo tenho para agir antes que o infarto cause danos irreversíveis?
O músculo cardíaco começa a sofrer necrose em cerca de 20 a 30 minutos após a obstrução total da coronária, e o dano se torna extenso a partir de 1 a 2 horas. A janela ideal para desobstrução (angioplastia primária ou trombolítico) é de até 90 a 120 minutos desde o início dos sintomas — o chamado “tempo porta-balão”. Por isso a regra é clara: qualquer suspeita de infarto exige acionamento imediato do SAMU. Quanto mais rápido o atendimento, maior a chance de preservar o coração e a vida.
Dominar esses procedimentos exige mais do que leitura: exige prática supervisionada em manequins, simulações realísticas e repetição sob orientação de profissionais experientes. A 22Brasil Socorristas oferece formação prática em BLS — Suporte Básico de Vida e RCP de Alta Performance com certificação internacional HSI, além do Curso de APH (Atendimento Pré-Hospitalar) para quem deseja atuar no SAMU, resgate e emergência. Nossos cursos têm até 85% de carga horária prática — a maior do Brasil — e seguem as Diretrizes AHA 2025 e a Portaria 2048 do Ministério da Saúde. Conheça as turmas presenciais em São Paulo e fale com nossa equipe pelo WhatsApp para tirar dúvidas e garantir sua vaga. Salvar vidas é uma missão que se aprende — e se pratica.

