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Como fazer a manobra de heimlich em gravidas?

Como fazer a manobra de heimlich em gravidas?

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Saber como fazer a manobra de Heimlich em grávidas é uma habilidade que pode fazer a diferença entre a vida e a morte, tanto para a mãe quanto para o bebê. Durante a gestação, o corpo da mulher passa por mudanças anatômicas significativas, e a compressão abdominal tradicional — ensinada para adultos comuns — pode causar lesões graves ao feto. Por isso, o protocolo correto exige uma adaptação específica: as compressões devem ser realizadas no tórax, na altura do osso esterno, e não no abdômen.

Para profissionais de saúde, socorristas e até leigos que presenciam uma emergência, dominar essa variação técnica é essencial. O engasgo obstrui as vias aéreas e impede a oxigenação, levando à perda de consciência em poucos minutos. Saber agir com rapidez e precisão, seguindo as diretrizes da AHA e da Portaria 2048 do Ministério da Saúde, garante um atendimento pré-hospitalar eficaz e seguro. Neste artigo, você vai entender o passo a passo correto para desobstruir as vias aéreas de uma gestante consciente, respeitando a integridade do bebê e aumentando as chances de um desfecho positivo.

O Que É a Manobra de Heimlich e Por Que Ela É Diferente em Grávidas

A manobra de Heimlich é uma técnica de desobstrução das vias aéreas que utiliza compressões abdominais para expulsar o objeto que bloqueia a passagem de ar. Em um adulto não gestante, o socorrista posiciona o punho fechado entre o umbigo e o apêndice xifoide e aplica compressões rápidas para dentro e para cima, elevando a pressão intratorácica e simulando uma tosse artificial. O propósito é gerar fluxo de ar suficiente para ejetar o corpo estranho da traqueia.

Em gestantes, a técnica padrão é contraindicada a partir do momento em que o útero gravídico ultrapassa a cicatriz umbilical — o que costuma ocorrer por volta da 20ª semana. Comprimir o abdômen nessa fase significa aplicar força diretamente sobre o fundo uterino, com risco de descolamento prematuro de placenta, ruptura uterina, laceração hepática e sofrimento fetal. Por isso, os protocolos da American Heart Association (AHA) e da ASHI determinam a substituição das compressões abdominais por compressões torácicas, posicionando as mãos sobre o esterno, na mesma linha anatômica utilizada na RCP. Você pode revisar a finalidade geral da técnica no artigo qual a finalidade da manobra de Heimlich.

A lógica fisiológica permanece idêntica: elevar a pressão dentro do tórax para forçar a saída do ar residual e deslocar o objeto. O que muda é o ponto de aplicação da força, transferido do abdômen para o osso esterno, área que não transmite pressão ao útero. Essa adaptação é ensinada em qualquer curso sério de primeiros socorros e faz parte do conteúdo prático obrigatório do treinamento de desengasgo em adultos e populações especiais.

Como Identificar um Engasgo em uma Grávida: Sinais de Alerta

O reconhecimento precoce do engasgo é o fator que mais influencia o desfecho, porque a obstrução total das vias aéreas leva à hipóxia cerebral em cerca de 4 a 6 minutos. Em gestantes, a margem é ainda mais estreita: a capacidade residual funcional pulmonar já está reduzida pela elevação do diafragma, e o consumo de oxigênio aumenta em aproximadamente 20% no terceiro trimestre. Isso significa que a gestante dessatura mais rápido do que uma mulher não grávida nas mesmas condições.

Os sinais clássicos de engasgo incluem levar as mãos ao pescoço (sinal universal da asfixia), incapacidade súbita de falar ou tossir, expressão de pânico, cianose labial progressiva e ruídos agudos na tentativa de inspirar. Em grávidas, observe também se a vítima está em pé, sentada ou recostada, pois o volume abdominal pode dificultar que ela se incline espontaneamente para frente, posição que naturalmente auxilia a expulsão do corpo estranho em não gestantes.

Diferença Entre Engasgo Parcial e Obstrução Total das Vias Aéreas

No engasgo parcial, a vítima ainda consegue tossir com força, falar algumas palavras e respirar com ruído. Nesse cenário, a conduta correta é não interferir com golpes ou compressões: estimule a tosse vigorosa, mantenha a gestante sentada ou em pé e monitore de perto. A tosse espontânea gera fluxos expiratórios de até 800 L/min, mais eficientes e seguros do que qualquer intervenção externa quando a via aérea ainda está parcialmente permeável.

Na obstrução total, a vítima não consegue tossir, falar ou respirar, e o quadro evolui rapidamente para inconsciência. É nesse momento que a ação imediata é obrigatória: inicie os golpes interescapulares e as compressões torácicas alternadas, e acione o serviço de emergência em paralelo. A distinção entre os dois quadros deve ser feita em segundos, não em minutos — e é exatamente esse raciocínio clínico que os cursos presenciais de APH treinam em cenários simulados.

Passo a Passo: Como Fazer a Manobra de Heimlich em Grávidas

O protocolo para desengasgo em gestantes conscientes segue a sequência de golpes nas costas e compressões torácicas, conforme as diretrizes internacionais de suporte básico de vida. Antes de iniciar qualquer manobra, confirme que se trata de obstrução total — se a vítima tosse ou fala, não intervenha. Posicione-se ao lado e ligeiramente atrás da gestante, explicando rapidamente o que fará, mesmo que ela não consiga responder verbalmente.

A ordem das técnicas importa menos do que a continuidade: o objetivo é alternar impactos interescapulares e compressões esternais até a expulsão do objeto ou a perda de consciência. Cada ciclo deve ser executado com força proporcional à necessidade, lembrando que compressões torácicas em gestantes exigem um pouco mais de controle do que em adultos comuns por causa do deslocamento do ponto de referência anatômico.

Posicionamento Correto das Mãos em Gestantes

Para a compressão torácica em gestante, o ponto de referência é a metade inferior do esterno, o mesmo local da compressão cardíaca na RCP. Coloque a base de uma mão sobre o centro do peito, entre os mamilos, e a outra mão por cima, entrelaçando os dedos ou mantendo-os estendidos — o importante é que a força seja aplicada com a base da mão, nunca com os dedos ou a palma aberta.

Mantenha os braços estendidos e os ombros alinhados sobre o ponto de compressão. Em gestantes com mamas volumosas ou no terceiro trimestre, pode ser necessário deslocar suavemente o tecido mamário para localizar o esterno com precisão. A profundidade da compressão para desengasgo é semelhante à da RCP: cerca de 5 cm em adulto, com retorno total do tórax entre uma compressão e outra.

Compressões Torácicas no Lugar das Abdominais: Por Que a Mudança

A substituição das compressões abdominais pelas torácicas em gestantes não é uma preferência, mas uma determinação de segurança baseada em anatomia e fisiologia obstétrica. O útero gravídico desloca as alças intestinais para cima e comprime a veia cava inferior quando a gestante está em decúbito dorsal, mas o problema central no desengasgo é outro: a aplicação de força sobre o abdômen transmite pressão diretamente à parede uterina e à placenta.

Estudos de caso e revisões de trauma obstétrico documentam descolamento prematuro de placenta, rotura hepática e até morte fetal após compressões abdominais vigorosas em gestantes. A compressão torácica, por outro lado, atua sobre uma estrutura óssea — o esterno e as costelas — que não tem contato direto com o útero, preservando a integridade materno-fetal enquanto gera pressão intratorácica suficiente para a desobstrução. Essa adaptação também é a base do protocolo da AHA para gestantes em parada cardiorrespiratória, com deslocamento manual do útero para a esquerda.

Golpes nas Costas (Interescapulares): Como e Quando Aplicar

Os golpes interescapulares são a primeira técnica indicada no desengasgo de gestantes conscientes. Posicione-se ao lado e ligeiramente atrás da vítima, incline-a para frente — se a barriga permitir — e aplique até cinco golpes secos com a base da mão entre as escápulas. A inclinação anterior do tronco é crucial porque usa a gravidade a favor da expulsão do objeto, direcionando-o para fora da boca em vez de aprofundá-lo na traqueia.

Em gestantes no terceiro trimestre, a inclinação pode ser limitada pelo volume abdominal e pelo desconforto lombar. Nesse caso, peça que ela apoie uma das mãos em uma superfície firme, como uma mesa ou o encosto de uma cadeira, mantendo o tronco o mais fletido possível sem comprometer o equilíbrio. Cada golpe deve ser forte o bastante para gerar vibração e pico de pressão nas vias aéreas, mas controlado para não desestabilizar a vítima.

Quantas Repetições Fazer e Como Alternar as Técnicas

O protocolo padrão é de cinco golpes interescapulares seguidos de cinco compressões torácicas, alternando os ciclos até a expulsão do corpo estranho ou a perda de consciência. Não existe um número máximo absoluto de ciclos: a manobra deve continuar enquanto a vítima permanecer consciente e o objeto não for expelido. Na prática, porém, se após três a cinco ciclos completos não houver melhora, a probabilidade de evolução para parada respiratória é alta.

  • 5 golpes interescapulares com a base da mão
  • 5 compressões torácicas sobre o esterno
  • Reavaliação rápida da via aérea a cada ciclo
  • Acionamento do SAMU já no primeiro ciclo
  • Transição para RCP se houver inconsciência

Durante toda a sequência, mantenha alguém designado para ligar para o 192 ou acione o viva-voz do celular enquanto executa as manobras. Em ambientes com DEA disponível, posicione o equipamento ao lado da vítima desde o início, pois a evolução para parada cardíaca exige desfibrilação precoce quando indicada.

Manobra de Heimlich em Grávida Inconsciente: O Que Fazer

A perda de consciência durante o engasgo muda completamente o protocolo: a vítima deixa de responder, o tônus muscular desaparece e a via aérea pode colapsar ainda mais. Nesse ponto, as manobras em pé perdem eficácia e a prioridade passa a ser o posicionamento adequado no solo, a abertura da via aérea e o início imediato das compressões torácicas de RCP. A cada ciclo de compressões, o socorrista deve reabrir a boca e verificar visualmente se o corpo estranho se tornou acessível para remoção digital.

Em gestantes inconscientes, o deslocamento manual do útero para a esquerda é obrigatório durante todo o atendimento no solo. Esse gesto simples — empurrar o abdômen gravídico para o lado esquerdo da vítima — alivia a compressão da veia cava inferior e melhora o retorno venoso, aumentando a eficácia das compressões torácicas em até 30% segundo estudos de fisiologia da RCP em gestantes.

Como Posicionar a Grávida no Chão com Segurança

Ao deitar uma gestante inconsciente, faça-o com controle: ampare a cabeça e o tronco, evitando queda brusca que possa causar trauma secundário. Posicione-a em decúbito dorsal sobre superfície rígida — o chão é ideal — e, imediatamente, desloque o útero para a esquerda com uma das mãos ou com um coxim improvisado sob o quadril direito. Esse deslocamento deve ser mantido por um segundo socorrista, se houver, ou reavaliado constantemente se você estiver sozinho.

Não perca tempo procurando uma superfície acolchoada: o atraso nas compressões é mais letal do que o desconforto do piso duro. A posição final deve permitir que você se ajoelhe ao lado da vítima, com os braços estendidos e os ombros alinhados sobre o esterno, exatamente como na RCP convencional de adulto.

Quando Iniciar RCP em Gestantes

A RCP deve ser iniciada assim que a gestante engasgada perde a consciência e não apresenta respiração normal ou apenas gasping. O protocolo é o mesmo de qualquer adulto: 30 compressões torácicas seguidas de 2 ventilações de resgate, na frequência de 100 a 120 compressões por minuto, com profundidade de 5 a 6 cm. A diferença específica da gestante é o deslocamento uterino contínuo para a esquerda durante todo o ciclo.

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Antes de ventilar, abra a via aérea com a manobra de inclinação da cabeça e elevação do queixo e inspecione rapidamente a cavidade oral. Se o corpo estranho estiver visível e acessível, remova-o com os dedos em pinça — mas nunca faça varredura às cegas, que pode empurrar o objeto mais fundo. Se você não tem treinamento em ventilações, execute apenas compressões contínuas (hands-only CPR) até a chegada do socorro avançado, mantendo o deslocamento uterino.

Trimestres da Gravidez e Adaptações na Técnica de Desengasgo

A adaptação da manobra de Heimlich em gestantes não é binária — existe uma progressão de risco que acompanha o crescimento uterino. O que é aceitável no primeiro trimestre pode ser perigoso no terceiro, e o socorrista precisa saber identificar visualmente em que fase a gestante está para tomar a decisão correta em segundos. A altura do fundo uterino é o marcador clínico mais confiável: abaixo da cicatriz umbilical, o útero ainda está protegido pela pelve óssea; acima dela, está exposto à compressão externa.

Na dúvida sobre a idade gestacional, a regra é conservadora: trate qualquer gestante com barriga visível como portadora de útero gravídico elevado e utilize apenas compressões torácicas. O erro de subestimar o trimestre pode custar a vida do feto, enquanto o erro de superestimar não causa nenhum dano adicional à mãe — a compressão torácica é eficaz em qualquer fase da gestação.

Primeiro Trimestre: A Barriga Ainda Permite Compressão Abdominal?

No primeiro trimestre, o útero permanece dentro da pelve óssea até aproximadamente a 12ª semana, o que teoricamente reduz o risco de trauma direto por compressão abdominal. No entanto, a maioria dos protocolos de emergência e das diretrizes da AHA recomenda evitar a compressão abdominal em qualquer gestante, independentemente do trimestre, por três motivos: a incerteza sobre a idade gestacional no momento do atendimento, o risco de abortamento por aumento súbito da pressão intra-abdominal e a ausência de desvantagem clínica da compressão torácica.

Se você tiver certeza absoluta de que a gestação está nas primeiras semanas — por exemplo, em ambiente hospitalar com ultrassom recente — a compressão abdominal ainda é desaconselhada por prudência. O treinamento padronizado ensina que gestante é sempre contraindicação para Heimlich abdominal, eliminando a necessidade de decisão sob estresse. Essa uniformidade salva vidas porque remove a hesitação do socorrista.

Segundo e Terceiro Trimestres: Por Que Apenas Compressões Torácicas

A partir do segundo trimestre, o fundo uterino ultrapassa a sínfise púbica e, por volta da 20ª semana, atinge a cicatriz umbilical. No terceiro trimestre, o útero ocupa grande parte da cavidade abdominal, desloca o diafragma para cima e comprime os grandes vasos. Nesse cenário, a compressão abdominal de Heimlich equivale a aplicar socos diretos sobre o útero, a placenta e o feto — um trauma contuso de alta energia com potencial imediato de descolamento placentário e hemorragia materna.

A compressão torácica permanece plenamente eficaz nesses trimestres porque a pressão intratorácica independe da integridade abdominal. Além disso, o deslocamento lateral do útero durante o atendimento de vítimas inconscientes no segundo e terceiro trimestres é uma intervenção adicional que melhora a perfusão materno-fetal enquanto as manobras de desengasgo ou RCP são executadas. O conteúdo prático sobre essas adaptações é abordado em profundidade nos cursos presenciais de socorrista, onde a repetição em simuladores cria memória muscular para situações reais.

O Que NÃO Fazer ao Tentar Desengasgar uma Grávida

Os erros mais comuns no atendimento à gestante engasgada são a aplicação de compressão abdominal por reflexo, a demora em acionar o SAMU e a tentativa de remover o corpo estranho com os dedos às cegas. Cada um desses erros tem consequências específicas: o primeiro pode causar trauma uterino; o segundo reduz a janela de sobrevivência neurológica; o terceiro pode transformar uma obstrução parcial em total. A lista abaixo resume as condutas proibidas.

  • Nunca aplique compressões abdominais em gestante com barriga visível
  • Nunca faça varredura digital às cegas na cavidade oral
  • Nunca ofereça água ou alimentos na tentativa de “empurrar” o objeto
  • Nunca suspenda as manobras para aguardar o SAMU sem continuar agindo
  • Nunca deite a gestante consciente em decúbito dorsal sem necessidade
  • Nunca atrase a RCP após a perda de consciência

Outro erro crítico é executar a manobra de Heimlich com a gestante sentada em cadeira com encosto, o que impede a flexão adequada do tronco e reduz a eficácia dos golpes interescapulares. Se a vítima estiver sentada, ajude-a a ficar em pé ou a inclinar-se sobre uma superfície firme antes de iniciar os golpes. Em situações de pânico, o socorrista treinado mantém a sequência protocolada — e é essa disciplina que os cursos com alta carga prática, como o APH da 22Brasil, desenvolvem por meio de simulações realísticas repetidas.

Como Chamar Ajuda e O Que Informar ao SAMU (192)

O acionamento do SAMU deve ocorrer no primeiro minuto do atendimento, em paralelo às manobras de desengasgo. Se você estiver sozinho com a gestante, ative o viva-voz do celular, disque 192 e mantenha o aparelho próximo enquanto executa os golpes e compressões. A central de regulação médica pode orientar a conduta em tempo real e já despachar a ambulância com a prioridade correta — em obstrução de via aérea, o tempo-resposta é o principal determinante de sobrevida.

Ao falar com o regulador, informe de forma objetiva: idade gestacional aproximada ou trimestre, nível de consciência da vítima, se respira ou não, se o engasgo é total ou parcial, o que foi feito até o momento e o endereço completo com ponto de referência. A informação sobre a gestação é crucial porque a central pode acionar suporte avançado com obstetra ou encaminhar a vítima para hospital com maternidade e UTI neonatal, evitando transporte para unidade sem recursos obstétricos.

  1. Diga que é uma emergência obstétrica com obstrução de via aérea
  2. Informe a idade gestacional ou o trimestre
  3. Descreva o nível de consciência e respiração
  4. Relate as manobras já executadas
  5. Passe endereço, número e ponto de referência
  6. Não desligue antes da autorização do regulador

A Grávida Pode Aprender a Se Desengasgar Sozinha? Técnica de Autoajuda

Sim, a gestante pode e deve aprender a técnica de autodesengasgo adaptada, que utiliza o encosto de uma cadeira ou outra superfície rígida para aplicar compressões torácicas sobre o próprio esterno. A manobra consiste em posicionar a borda superior do encosto na metade inferior do esterno e projetar o corpo para frente com força, gerando picos de pressão intratorácica semelhantes aos das compressões manuais. É a mesma lógica da auto-Heimlich abdominal, deslocada para o tórax.

A sequência recomendada para gestante sozinha inclui: tentar tossir com força, inclinar-se sobre o encosto posicionado no esterno, aplicar cinco a seis projeções vigorosas e, se não houver melhora, buscar ajuda imediatamente — saindo para a rua ou batendo em portas vizinhas — antes de perder a consciência. A autoajuda não substitui o socorro externo, mas pode ganhar minutos preciosos até a chegada de alguém treinado.

Riscos do Engasgo Durante a Gravidez para a Mãe e o Bebê

A hipóxia materna decorrente da obstrução total das vias aéreas compromete a oxigenação fetal em questão de minutos, pois o feto depende inteiramente da circulação materna para receber oxigênio. A dessaturação materna abaixo de 90% já reduz a oferta de oxigênio ao feto, e a parada respiratória leva à acidose fetal progressiva, bradicardia e óbito intrauterino se não revertida rapidamente. Por isso, o engasgo em gestantes é considerado emergência obstétrica de altíssima prioridade.

Além do risco de hipóxia, a própria manobra executada de forma incorreta — compressão abdominal em útero gravídico — adiciona risco de trauma contuso com descolamento placentário, hemorragia retroplacentária e rotura uterina. A combinação de hipóxia e trauma é devastadora: mesmo que a mãe sobreviva, o feto pode apresentar sequelas neurológicas por encefalopatia hipóxico-isquêmica. O treinamento adequado da técnica adaptada é, portanto, uma medida direta de proteção fetal.

Prevenção: Como Reduzir o Risco de Engasgo na Gestação

A prevenção do engasgo na gravidez começa com mudanças simples de comportamento alimentar, especialmente no terceiro trimestre, quando o refluxo gastroesofágico, a lentificação do esvaziamento gástrico e a compressão diafragmática aumentam a incidência de disfagia. Comer devagar, cortar alimentos em pedaços pequenos, evitar falar ou rir com a boca cheia e não deitar imediatamente após as refeições são medidas com impacto direto na redução de eventos de obstrução.

Alimentos de alto risco — carnes fibrosas, pães secos, castanhas, uvas inteiras, salsichas e balas duras — devem ser consumidos com atenção redobrada ou evitados nos últimos meses. O uso de próteses dentárias mal ajustadas, comum em gestações tardias, também aumenta o risco. Para profissionais que convivem com gestantes — cuidadores, educadores, equipes de saúde — o treinamento em primeiros socorros com foco em populações especiais é a intervenção preventiva mais eficaz, e o domínio da técnica adaptada deve ser atualizado periodicamente.

FAQ: A manobra de Heimlich pode machucar o bebê durante a gravidez?

A manobra de Heimlich abdominal clássica pode, sim, machucar o bebê, especialmente a partir do segundo trimestre, quando o útero sobe para a cavidade abdominal. A compressão sobre o abdômen transmite força diretamente à parede uterina, com risco de descolamento de placenta, rotura uterina e sofrimento fetal. Por isso, a técnica correta em gestantes é a compressão torácica, que preserva o útero e mantém a eficácia na desobstrução.

FAQ: Posso fazer compressão abdominal em grávida no início da gestação?

Mesmo no primeiro trimestre, a recomendação dos protocolos internacionais é evitar a compressão abdominal e usar a compressão torácica em qualquer gestante. A incerteza sobre a idade gestacional, o risco de abortamento por aumento súbito da pressão intra-abdominal e a ausência de desvantagem da técnica torácica justificam a conduta uniforme: gestante nunca recebe Heimlich abdominal.

FAQ: O que fazer se a grávida engasgar e eu estiver sozinho com ela?

Inicie imediatamente os ciclos de cinco golpes interescapulares e cinco compressões torácicas, acione o SAMU pelo viva-voz do celular no primeiro minuto e mantenha as manobras até a expulsão do objeto ou a perda de consciência. Se a gestante desmaiar, deite-a no chão, desloque o útero para a esquerda e inicie RCP com 30 compressões e 2 ventilações, verificando a boca antes de ventilar.

FAQ: Qual a diferença entre a manobra de Heimlich normal e a adaptada para gestantes?

A diferença central é o ponto de aplicação da força: na manobra normal, as compressões são abdominais, entre o umbigo e o apêndice xifoide; na adaptada para gestantes, as compressões são torácicas, sobre a metade inferior do esterno. Ambas geram pressão intratorácica para expulsar o corpo estranho, mas a versão torácica protege o útero gravídico de trauma direto.

FAQ: Grávida obesa precisa de alguma adaptação adicional na técnica?

Em gestantes obesas, a localização do esterno pode ser dificultada pelo tecido adiposo, mas o ponto de compressão continua sendo a metade inferior do osso esterno, entre os mamilos. A profundidade da compressão deve ser mantida em cerca de 5 cm, e pode ser necessário mais força do socorrista. Os golpes interescapulares também devem ser aplicados com energia proporcional, sem reduzir a intensidade por receio de machucar.

FAQ: Após o desengasgo, a grávida precisa ir ao hospital mesmo estando bem?

Sim, toda gestante que passou por episódio de obstrução de via aérea deve ser avaliada em serviço de emergência, mesmo que esteja assintomática após a expulsão do corpo estranho. A avaliação médica deve incluir ausculta pulmonar, oximetria, monitorização fetal e, dependendo da idade gestacional, cardiotocografia e ultrassom obstétrico. Complicações tardias como edema de via aérea, broncoaspiração e sofrimento fetal podem se manifestar horas depois do evento.

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Carlos Rodrigues é enfermeiro emergencista, pós-graduado pelo Centro Universitário São Camilo, especialista em APH Traumático e instrutor credenciado pela Health & Safety Institute (HSI) nos Estados Unidos — certificado para ministrar os cursos de BLS (Basic Life Support), Primeiros Socorros e EMR (Emergency Medical Responder), qualificações reconhecidas internacionalmente como padrão de excelência no cuidado pré-hospitalar. Com 9 anos de experiência e mais de 2.500 alunos formados, atuou em ocorrências de grande impacto como os alagamentos no Rio Grande do Sul, o acidente da Voepass em Vinhedo e o acidente da TAM em 2007 — o maior da história da aviação brasileira. Treina instituições como Instituto Cacau Show, Academia IronBerg e Exército Brasileiro, e é presença recorrente na mídia nacional, com participações na TV Gazeta, RedeVida, Rit TV e Rede Brasil.

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